[PAPO SÉRIO] O QUE PRECISA DE CURA É O ÓDIO

[PAPO SÉRIO] O QUE PRECISA DE CURA É O ÓDIO

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No próximo dia 23 de Maio o o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento que enquadra a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero como crime. Para alguns, a medida é desnecessária ou exagerada, a julgar pela quantidade de problemas sociais a serem resolvidos em nosso país. E até seria, caso uma pessoa não fosse assassinada no Brasil a cada 16 horas por sua orientação sexual ou identidade de gênero.

A situação da comunidade LGBT nunca foi fácil, mas o que me parece é que nos últimos anos tornou-se terrivelmente pior. Preconceito, ignorância, discriminação e intolerância são os elementos explosivos que se perpetuam numa nação pra lá de conservadora. Tudo se agrava quando o país decide escolher um presidente abertamente homofóbico, aliás, a última de suas decisões mais infames foi a retirada do incentivo a turismo LGBT do plano nacional de turismo. Perde o turismo, perde a economia, reforça-se internacionalmente que o Brasil não é um lugar seguro para a diversidade (e realmente não é).

Hoje é dia 17 de Maio, data em que é celebrado o Dia Internacional da Luta contra a Homofobia. Soa um tanto irônico, a coincidência que 17 também é o número de campanha usado por Jair Bolsonaro, uma das figuras mais intolerantes e agressivas quando se trata da diversidade sexual. Aliás, ele é literalmente a personificação de uma pátria que pratica as maiores atrocidades quanto se trata de questões de gênero.

Ao menos 8.027 lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais (LGBTI) foram mortos em crimes de ódio motivados por homofobia entre 1963 e 2018, de acordo com relatório do Grupo Gay da Bahia. Em janeiro deste ano, a travesti Quelly da Silva foi assassinada por Caio Santos de Oliveira, tendo seu coração retirado e no lugar colocado a imagem de uma santa.

(link: AQUI)

Em dezembro de 2016, o jovem Itaberlly Lozano, de 17 anos, foi morto por ser gay, tendo o corpo carbonizado pela própria mãe, com a ajuda do padrasto.

(link: AQUI)

No começo do ano de 2016 um vídeo viralizou nas redes sociais, tratava-se do brutal assassinato da Travesti Dandara, que agredida com chutes e golpes de pau, sendo posteriormente apedrejada e morta a tiros no Ceará.

(Link: AQUI)

São casos cruéis, espalhados em lugares distantes uns dos outros, todos eles com um denominador comum: crimes de ódio motivado pela violência e intolerância contra pessoas LGBTs. Neste meio tempo a opinião pública se movimenta e encontra as mais fúteis desculpas para aliviar a barra de quem quer defender seu direito de ser preconceituoso. Surgem aí as justificativas mais generalistas possíveis, afirmações de que milhares de pessoas são assassinadas todos os anos, quando na verdade é impossível comparar situações diferentes quando se leva em consideração que não existe crime de ódio contra heterossexuais.

Falta empatia, falta respeito pela dignidade humana, faltam políticas sérias de enfrentamento à violência contra a diversidade. Sobra achismo e opinião desnecessária por parte de quem não sente na pele o que é ser LGBT. Testa aí na sua cidade: quantos lugares você frequenta em que travestis fazem parte da equipe de atendimento? Quantas empresas você conhece em que um gay ou uma lésbica ocupa posto de chefia? O debate é intenso e temos muito o que dialogar nos próximos anos. E para este dia, nada mais apropriado que esta frase dita pelo médico Dráuzio Varella.

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[PAPO SÉRIO] RESPEITA AS MINA!

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Sobre o vídeo inescrupuloso dos tais ‘torcedores’ que viralizou nas redes sociais (entenda o caso AQUI e AQUI): bem vindos a realidade do nosso país! Não são torcedores irlandeses, coreanos ou americanos, são BRASILEIROS.

É apenas mais um caso personificado por aquele tipo de macho que adora sair espalhando o que fez (ou não) com uma mulher na cama, que se orgulha em dizer que “mulher minha não usa esse tipo de roupa” (mas que na rua vira até o pescoço pra olhar pra mulher do outro). Brasileiro genuinamente cidadão de bem, que esbraveja ao dizer que a filha nunca vai casar (mas que na surdina adora uma ‘novinha’).

O Brasileiro é substancialmente machista (e por consequência homofóbico), misógino e de uma falta de respeito absurda quando se trata do sexo feminino, o que consequentemente explica como a taxa de feminicídio no Brasil é a quinta maior do mundo.

O mais inadmissível em toda essa história é que os envolvidos certamente são do tipo que se escondem atrás da carapaça de bom moço, que apoiam a moral e os bons costumes. Uma espécie de ser humano que se esconde atrás da justificativa de que hoje tudo é ‘mimimi’, tudo está muito chato e ninguém mais pode fazer uma piada.

E realmente não pode, piada em que só uma das partes sorri não tem a menor graça.

RESPEITA AS MINA!

Design sem nome

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[PAPO SÉRIO] Vida de Gado

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Ontem na volta para casa essa cena me chamou a atenção. Na verdade é uma cena bem costumeira ver as pessoas amontoadas no transporte coletivo, sempre indo e vindo da rotina diária de trabalho. Pelo padrão das pessoas que ali estavam, não foi muito difícil fazer uma série de reflexões sobre a qualidade de vida que levamos atualmente.

Ninguém precisa ser bombardeado pelos noticiários para ter noção de que a vida do brasileiro não anda nada fácil (e nunca andou). Confesso que pela expressão de cansaço que pude ver na rosto dessas pessoas a única coisa que me veio a mente foi a tal reforma previdenciária que estão tentando nos empurrar garganta abaixo. Me questionei com que condições essas pessoas (e eu me incluo nelas) trabalharão até os 65 anos de idade para se aposentar.

Pensei também que estamos em ano eleitoral, e que nenhuma dessas figuras asquerosas que aparecerá pedindo voto estava ali naquele micro-ônibus, experimentando os dilemas de ser um trabalhador brasileiro. Aliás, que a gente possa levar em consideração esses pequenos dramas diários e fazer uma retrospectiva do cenário político brasileiro dos últimos anos para saber se posicionar nas urnas. Não confiem em sorrisos falsos e aperto de mão, muito menos em quem nunca andou de ônibus ou não enfrenta fila de hospital, mas que ainda assim promete um paraíso na terra em troca do seu voto.

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[PAPO SÉRIO] Você viu essa cena absurda?

[PAPO SÉRIO] Você viu essa cena absurda?

Nesta semana uma verdadeira enxurrada de prints, links e vídeos dividiram opiniões de amigos e conhecidos em grupos de Whatsapp. Pra ser bem franco, eu que sou usuário e profissional das redes sociais, me questiono até onde é vantajoso as informações serem compartilhadas e se espalharem na velocidade da luz. O ‘crime’: um garoto gay com 12 anos de idade resolveu comemorar o aniversário ao lado do namorado (de 14 anos), e ao que tudo indica, a imagem da drag Pabllo Vittar estaria estampada no bolo.

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Eu preciso que você preste bastante atenção nesta parte do texto antes de tirar alguma conclusão precipitada sobre este post: SIM, eu realmente considero precoce um relacionamento aos 12 anos de idade (estou com 33 anos e ainda estou descobrindo o que de fato é isso) e não tenho menor gabarito pra pagar de ‘juiz da idade certa’ pra namorar.

No meio de toda essa pauta entram questões complexas que em geral sequer pensamos em discutir, isso inclui obviamente a forma como a mídia e a publicidade influenciam na sexualização e adultizacão da infância e adolescência (mas não vou ficar falando disto, se você preferir tem dois links bem interessantes AQUI e AQUI).

No meio de toda a polêmica um ponto chave precisa ser questionado: a história visualizou por que ele tem 12 anos de idade ou somente pelo fato dele ser gay? Há algum tempo atrás a atriz mirim Larissa Manoela assumiu publicamente o namoro com um colega de elenco, vale ressaltar que naquele período a jovem tinha somente 12 anos de idade. Seja bastante sincero: você viu esta história viralizar da mesma forma?

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Só para mais uma vez tentar digerir e entender tudo isto: quando ao assistir uma cena de beijo entre duas crianças no filme “Meu Primeiro Amor” que é exibido exaustivamente na sessão da tarde, você também se apavora e pensa que o mundo está perdido ou acha tudo muito normal, afinal o contexto heterossexual da cena não incomoda e desconstrói suas ideias?

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A gente realmente precisa com muito respeito mútuo e empatia, sentarmos pra dialogar sobre uma infinidade de assuntos deste tipo. Desde que deixemos de lado a hipocrisia e o falso moralismo que se misturam nas letras de nossas opiniões, que por sinal estão cada dia mais sem rumo.

[PAPO SÉRIO] Sobre amizade, músicas e saudade

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Sabe aquele sono revigorante de sábado a tarde que te faz perder a noção do mundo? Pois é, acabo de acordar de um destes. Poucas coisas fazem tão bem a um ser humano como dormir bem. Mas este pequeno grande texto não é bem sobre isso. Talvez eu tenha acordado melancolicamente feliz e com saudade de algumas pessoas.

Assim como o sono, a certeza de uma amizade sincera faz bem a qualquer um. E quem não tem uma boa e saudosa amizade? Eu tenho várias por sinal, mal caberiam aqui neste texto se eu me arriscasse a citar todas as que me recordo. Talvez o destino se encarregue de não permitir a convivência diária com algumas das almas queridas de nosso coração, no intuito de nos dar a certeza de que alguns momentos ficarão indubitavelmente marcados na memória.

Sobre a Lívia Graziella

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Devo conhecer a Lívia há pelo menos uns dez anos, foi na época que eu ainda morava em Brasília. A relação de professor e aluna se estendeu para a vida pessoal e aqui está até hoje. São tantas milhares de lembranças que eu mal posso selecionar apenas uma. Lembro de quando ficávamos acordados até tarde, dividindo um único computador (dela por sinal), salvando centenas de papel de parede para o celular (nunca usamos nem sequer a metade deles). Clicando em todos os vírus que era possível, e a tantas da madrugada sempre tinha um que gritava: – “Alô!”. Nesta época misturávamos as letras de “Devolva-Me” (Adriana Calcanhoto) com “Ternura” (Isabella Taviani).

Sobre o Edson Filho

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Conheci esta figura pessoalmente na época mais tenebrosa da minha vida (fim de relacionamento, quem nunca?). O maior de todos os viajantes que já vi nesta vida. Numa dessas viagens tive a grata honra de recebê-lo em casa para a comemoração do aniversário do Aviões do Forró. Quanto arrependimento, que criatura insuportável meu jesus! KKKK Lá vai então Edson e eu curtir uma festa na antiga casa de shows #Danadim… Fim de festa, eu já cansado esperando o taxi e reclamando da demora, quando Edson finge tirar o controle de um automóvel do bolso e diz: “Vamos, deixa que eu te levo no meu carro. QUI QUI (simulando o barulho do destravamento do alarme)”. Acho que poucas vezes eu ri tanto de uma idiotice na minha vida. É pouco provável que eu ouça a música “Comando” (harmonia do Samba) sem lembrar deste ser humano detestável.

Sobre a Daniella Campelo

Daniella

Conheci a Dani mesmo antes de conhecê-la. Apaixonado pela banda Styllus, ouvindo “Flertes” toca exaustivamente nas rádios de Caxias (MA), mal sabia eu que me tornaria amigo da grande voz que deu corpo a esse hit do forró romântico. Mundo que gira, tive o prazer de conhecer a Dani em um desses ‘forrós da vida’. Fora tantos outros momentos incríveis que já vivemos juntos, só posso me lembrar dela usando sua voz adocicada para cantarolar:

Forró aqui só presta se amanhecer o dia
Se amanhecer o dia, senão não tem valor

Enquanto isso sorríamos até do vento que soprasse em nosso redor esperando um cachorro quente pra matar a larica pós farra.

Sobre o Rivaldo Rocha

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O careca mais lindo que já passeou por este planeta. A sensação que tenho quando o reencontro é que a irmandade de nossos corações rompe a barreira da vida terrestre, ainda que eu sofra um intenso processo de bullying e humilhações hahaha. Entre nós definitivamente não existe espaço para cobranças por não ter ligado, mandado uma mensagem ou feito um contato no dia a dia, a leveza de uma boa amizade assim se resume. Riva é a criatura mais alucinada pelo cantor Saulo que já vi nesta vida, não teria como lembrar uma música se não fosse esta…

Sobre a Luciana Souza

Luciana

Sempre tive a sorte de encontrar gente tagarela pra deixar minha vida menos monótona. Chegando em uma turma escolar nova, numa cidade nova e encarando de frente uma vida nova, a Lu foi uma das primeiras pessoas com quem pude socializar. Quase vinte anos depois ainda me lembro da menina baixinha de cabelos trançados, sentada a minha frente, com uma garrafa de água em forma de gelo. No fim da aula (ou na fuga de muitas delas), íamos sempre comer ‘bomba’ (salgado recheado bastante conhecido em algumas cidades) e sorrir da cara de quem quer que passasse em nossa frente. Nesta época a banda Noda de Caju estava no auge de seu sucesso, e tentávamos alcançar os “high notes” da então vocalista (Iara Pâmela).

Sobre a Mariana Miranda

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Eu sinceramente nem sei por onde começar a falar dessa louca, a quem afetuosamente trato como “piranha”. Qualquer pessoa que esteja ao seu lado nas horas difíceis e nos momentos felizes é pra ser carregada por toda a vida. São zilhões de piadas internas e momentos engraçados (incluindo o fato de eu já ter cuspido cachorro quente em sua cara durante uma crise de riso, literalmente). Juntos, fomos ao show do Engenheiro do Hawaii em Brasília, mas na hora de voltar pra casa, cadê carona? Amargamos juntos o frio da capital federal até que o pai dela acordasse e fosse nos buscar, sentados no chão e ouvindo zilhões de vezes: – “Portaria, boa noite!”

Sobre o Guilherme Paiva

guilherme

A gente mora incrivelmente próximo e ao mesmo tempo a rotina diária faz parecer longe, já que não nos vemos com frequência. O Gui é o tipo de pessoa incrivelmente popular, que faz amizade até com o cachorro do dono do lava jato da esquina (ou com elefantes indianos, taí a foto pra não me deixar mentir). Daí já viu, conseguir uma brecha na disputada agenda desse moço é missão pra lá de impossível. O mais curioso de tudo é que ele certamente colocou algum tipo de rastreador no meu telefone celular, porque basta eu passar a ouvir com mais frequência algum artista e PAH! Dias depois lá está o Gui ouvindo o mesmo artista, assim foi com Florence, Diogo Nogueira, Roberta Sá…

Que amizades maravilhosas Deus me presenteou! Obviamente não cabe aqui todas as histórias e músicas que eu gostaria de relembrar… A vida é basicamente isto, viver momentos felizes, guardar na memória afetiva e relembrar (ou reviver) sempre que for possível.

 

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[PAPO SÉRIO] Você tem certeza que homossexualidade precisa de cura?

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Não é de hoje (nem de ontem) que o homem tenta a todo custo se ver livre da homossexualidade alheia. É como se a orientação sexual do outro lhe pesasse sobre os ombros como um fardo mortal. O direito de seu semelhante de amar e de conduzir suas relações afetivas tem sido motivo dos mais brutais atentados ao longo da história.

No outono de 1933, o campo de concentração nazista de Fuhlsbuttel, no norte de Hamburgo, na Alemanha, marcava com triângulo cor-de-rosa os homossexuais que ali chegavam. O então endocrinologista nazista holandês Carl Vaernet castrou e injetou doses muito altas de hormônios masculinos em seus “pacientes” para observar sinais de “masculinização”. Estima-se que 55% dos gays que entraram nos campos de concentração morreram – algo entre 5 mil e 15 mil pessoas.

Hipnose, castração e terapias reparativas foram usadas ao longo da história para alterar as preferências e desejos de centenas de homossexuais. Uma das terapias usadas foi a lobotomia (cirurgia que retira uma parte do cérebro). O número de pessoas submetidas a este tipo de procedimento na Dinamarca foi de 3,5 mil, sendo a última em 1981. Diante de tantos acontecimentos e de séculos de insistência, é impossível acreditar que o ser humano não tenha se dado conta de que ORIENTAÇÃO SEXUAL NÃO É ESCOLHA. Mas se você ainda acha que a causa gay é mimimi ou problematização desnecessária, me desculpe mas eu tenho que chocá-lo com a realidade de quem se encontra nesse contexto.

CASO DANDARA

O crime aconteceu no dia 15 de fevereiro, no Bairro Bom Jardim (Fortaleza), e ganhou repercussão nas redes sociais após o compartilhamento do vídeo que mostra a travesti sendo agredida por um grupo no meio da rua. Após agressões com chutes e golpes de pau, a travesti Dandara dos Santos foi assassinada a tiros.

SHOCKING VIDEO OF TRANSSEXUAL PLEADING FOR LIFE MOMENTS BEFORE BEING BEATEN TO DEATH

CASO JOÃO DONATI

O corpo do jovem João Antônio Donati (18), que era homossexual assumido, foi encontrado com hematomas em um terreno baldio. O acusado confessou o crime e revelou ter asfixiado a vítima.

joao donati

LESBOFOBIA E RACISMO

Ao parar para cumprimentar um amigo que estava no bar na esquina da rua de sua casa, no bairro Jardim Paiva II, na periferia de Ribeirão Preto, Luana foi abordada e espancada por policiais militares e morreu cinco dias depois, em decorrência de uma isquemia cerebral causada por traumatismo crânio encefálico.

luana

 

ESPANCADO POR DEFENDER TRAVESTI

Homem foi derrubado e agredido com socos e pontapés após passar a catraca da estação Pedro II. Segundo a polícia, ele tinha ido defender uma travesti que era perseguida pelos suspeitos.

espancado

CASO ITABERLI LOZANO

Itaberli Lozano, de 17 anos, foi esfaqueado e teve o corpo queimado em canavial em Cravinhos (SP). Enquanto ainda estava vivo, jovem relatou agressões da mãe por ser gay em publicação no Facebook, .

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TRAVESTI E IRMÃ SÃO ESPANCADAS

Uma travesti e sua irmã (que não tiveram os nomes divulgados), estavam em uma lotação quando os agressores começaram a fazer comentários homofóbicos e agressivos.  Pedestres que passaram pelo local fizeram vídeo das agressões. Nas imagens, a travesti aparece já no chão, cercada pelos agressores, e é chutada diversas vezes. Um homem sem camisa a acerta com um pedaço de pau. Sua irmã tenta defendê-la e também é agredida. Várias pessoas assistem à cena, mas ninguém as defende.

irmã defende travesti

JOVEM ASSASSINADO A CAMINHO DA ESCOLA

Um crime bárbaro motivado por homofobia chocou a população de São Luis, no Maranhão. O estudante Lucas Carvalho, de 17 anos foi encontrado morto em uma trilha na região metropolitana da cidade. O jovem foi abordado por um grupo de homens, quando estava a caminho da escola e foi brutalmente assassinado. O corpo de Lucas foi deixado próximo a uma UPA, apenas de cueca, degolado e com marcas de esfaqueamento.

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Eu lamento bastante em ter que usar imagens tão fortes, mas acredite, somente ilustrando apenas alguns das centenas de casos de homofobia no Brasil (país que mata um homossexual a cada 25 horas) é possível que parte da população entenda a realidade cruel de nosso país.

Em decisão publicada ontem (18/09), o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, emitiu em caráter liminar, que psicólogos possam tratar gays e lésbicas como doentes e possam fazer terapias de “reversão sexual” sem sofrer nenhum tipo de censura por parte do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Esse tipo de tratamento é proibido por meio de uma resolução editada pelo CFP em 1999, já que desde 1990 a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.

A pergunta é: depois de todos os fatos e fotos listados acima, realmente são os homossexuais que precisam de cura?

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[PAPO SÉRIO] Qual a cor da sua alma?

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Os negros estavam lá de boa, quietinhos lá na Africa, levando a vida mó sussa. Aí o homem branco gringo vai lá e decide que os negros tem de servi-los (sim, como escravos). Aí traz os negros todos para o Brasil e decide que agora é aqui que eles vão viver. E tome chibatada, e tome trabalho forçado, e tome doutrinação religiosa, e tome negro morrendo (aos MILHÕES).
O homem branco gringo decide também que a terra não é do índio (o índio já estava aqui quando o branco chegou, quer dizer, invadiu), transforma o índio em escravo. Mas pode escravo índio? Não era só negro que virou escravo? Ok, agora pode índio também.
Segue o bonde da loucura com o homem branco gringo dizendo pro índio que ele também não pode mais cultuar seus deuses , nem praticar seus rituais e cerimônias. Agora o índio (assim como o negro) não tem mais o direito de mandar em suas terras, não pode escolher como viver e tampouco decidir sobre suas crenças.
CORTA PRA 2017
O homem branco gringo se miscigenou-se com o negro e com o índio (não temos mais homem branco gringo, agora é tudo mais ou menos a mesma coisa). E esse “povo novo” agora gosta de ir na praia do arpoador e aplaudir o por do sol, mas não pode dizer que isso é coisa de índio afinal não tem cara de índio, mas pode adorar o sol como se fosse índio (mas sem dizer que é índio, entendeu?).
Outra novidade: o “novo homem branco” (que não é gringo e nem sabe se é branco pois acabou se misturando com negro e com o índio), decide que o negro também não pode mais cultuar as suas matrizes africanas. E se persistir em manter viva sua ancestralidade corre o risco de levar pedrada na cabeça ou de ser forçado a ter que destruir com as próprias mãos qualquer tipo de instrumento simbólico que remeta ao passado afro e sua ancestralidade.

O pior é que não dá pra defender ninguém. Sou descendente de maranhenses que na prática é o quarto estado brasileiro a receber o maior número de escravos em nosso país. Pasmem, há quem pense que um branquelo feito eu não possui mérito de lutar por respeito ao negro (ou ao índio).

Ultimamente as coisas tem se tornado tão confusas, não é?

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(Imagem: Reprodução)

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[PAPO SÉRIO] Sempre é tempo…

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– “Tô assumidíssima…”

Li a declaração com uma sensação de leveza e felicidade inestimáveis. Não que tenha recebido a notícia como algo novo ou que a informação tenha me surpreendido. É que revirei num átomo de segundo o baú de memórias (tanto minhas quanto alheias) e lembrei o quanto é revigorante a gente se desprender de certas amarras.
E falando em amarras, a gente bem que deveria dia após dia, afrouxar os nós que prendem nossos juízos de valor. Vejamos: o que justificaria eu deixar de amar integralmente um ser humano (seja ele pai, mãe, primo, amigo ou o vendedor de sorvete da esquina) tão somente por conta da sua orientação sexual? Aliás, é bem pitoresco eu deixar de exalar amor apenas porque me incomodo se Antônia anda de mãos dadas com Júlia ou se Adriano beija afetuosamente a nuca de Joaquim.
Embora clichê, nunca é demais a gente colocar um ‘post-it’ na porta da geladeira para lembrar que a vida é curta demais para nos anularmos, nos privarmos de todas as possibilidades de ser feliz que esta existência nos oferece. E nem venha justificar seu atraso intelectual com um sonoro “ah, mas é minha opinião”, ultimamente tenho andado com muita preguiça de dar ouvidos a quem se perdeu nos becos e vielas da ignorância.

Os tempos são outros, guarde no baú seu preconceito que nossa felicidade quer desfilar.

 

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[PAPO SÉRIO] Resignificando sentimentos

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Com o tempo a gente entende que certas coisas mudam e algumas delas precisam ficar pra trás. Precisam mesmo pois do contrário a gente se cansa de arrastá-las pela vida afora, sem ao menos entender a necessidade de sustentar o enorme peso de cada uma delas. Poucas coisas nessa vida são capazes de explicar minhas mudanças comportamentais e as transformações do meu ponto de vista como uma das letras do saudoso Raul:

“Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

Estamos aqui todos nós em mais um #DiaDosPais. Mesmo diante de sua controversa importância não se deve negar que para muitos a celebração deste dia tem lá seu simbolismo. Confesso que a data um dia já me assustou, me deslocou grosseiramente para longe da minha zona de conforto e me fez questionar muitas coisas. Hoje não mais. Com o passar do tempo a gente aprende racionalmente a abrir mão de certas coisas para poder alcançar paz de espírito.

Em certo episódio, escrevíamos na escola alguma mensagem bonitinha em um lenço de tecido a ser entregue no dia dos pais. Mas que pai? O que eu não tinha? Para algumas situações nós (adultos) precisamos dimensionar a sensibilidade e vivência de cada um. E tratar a situação com doses cavalares de pena não é ser empático, não sejamos estúpidos. Nenhuma criança (ou adolescente) merece ser vista como “coitada” apenas pelo fato de não ter pai. Diálogo e amor na medida certa já são mais que suficientes.

Nesse processo de substituição de sentimentos aprendi que nem todos os homens são iguais. Por meio de sua postura e de suas ações, alguns deles foram capazes de desconstruir tudo aquilo que eu tinha em mente sobre o descomprometimento paternal. Ao ganhar um sobrinho, fui pego de surpresa na percepção de um irmão que eu ainda não conhecia. Que mesmo tendo convivido toda uma vida ao seu lado, só agora percebi toda a essência de um cara cheio de responsabilidade, amor e cuidado com sua nova tarefa que é cuidar e educar uma criança.

pedros

Ano após ano busco compreender as incapacidades alheias, venho guardando as ‘pedras de julgamento’ em meu bolso para que não machuquem ninguém, afinal cada um acaba sendo o resultado das próprias escolhas. Sigamos em frente, e aos pais: um dia cheio de muito amor ao lado de seus filhos.

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[PAPO SÉRIO] Pequeno engasgo sobre a política do meu país

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Embora eu esteja lendo um livro sobre política (Ridículo Político – Marcia Tiburi), realmente tenho andando sem vontade alguma de ver ou dialogar sobre o tema. Não que ache que o clichê “política não se discute” tenha algum fundamento neste contexto, é que realmente os fatos dos últimos anos vem fortalecendo em mim uma verdadeira “preguiça” sobre o tema.
Se antigamente usávamos a expressão “virar a página”, hoje em dia já “rolo a timeline” numa velocidade absurda quando vejo uma dessas notícias que me embrulha o estômago. E falando em notícia, ontem presenciamos mais um dos sombrios e pitorescos capítulos de nossa história.
Eu realmente não me importo se você é de direita/esquerda, se é conservador ou progressista, apenas tente acompanhar meu raciocínio: existem provas concretas (inclusive respaldadas pela perícia da polícia federal) de que um presidente está envolvido com corrupção passiva. Cabe ao STF (Supremo Tribunal Federal) iniciar investigações sobre o caso, só que para inicio do processo é necessário votação na Câmara para que deputados decidam (ou não) se o tal presidente deve ser investigado. Sim, caros colegas, é evidente que após tantos ‘jantares’ e acordos feitos às escondidas o resultado foi: NÃO VAI TER INVESTIGAÇÃO.
A todos nós que bradávamos “não vai ter golpe” resta admitir que teve golpe SIM. E golpe duplo, ou você realmente achou que o impeachment contra uma presidente democraticamente eleita alegando pedaladas fiscais era em nome do povo e do futuro do país? Pelo visto a novela de rasteiras contra o povo está bem longe de terminar.
Leis são feitas para favorecer quem as cria, partindo desta ideia é evidente que o esquema político a qual estamos submetidos trabalhará cada vez mais para blindar as velhos ratos que estão no poder, garantindo-lhes que as sedes do poder (leia-se Câmara e senado) sejam transformadas no quintal de suas casas, onde os mesmos fazem o que bem entendem.
Bom, para quem não queria falar sobre política já me estendi até demais. Se ainda me permitem uma observação: 2018 (ano que vem) teremos eleições, fiquem bem atentos quando lobos em pele de cordeiro baterem a porta de sua casa pedindo voto.
Segue o baile…

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