Maior que a pobreza, só a perseverança…

Pobre é mesmo um ser digno de estudo. Não uso a palavra pobre nesse tom jocoso de quem acha que dinheiro torna alguém superior, aliás, falo com propriedade de quem nasceu pobre, cresceu pobre e aparentemente será pobre ainda por um bom tempo (talvez até o último suspiro).
Ainda pouco a caminho do terminal de ônibus uma conversa escorregou para dentro do meu ouvido:
– “Ele (o candidato) é o menos pior…” Era apenas mais um dos milhares de diálogos que giram em torno das eleições. Amanhã tem votação. Nos últimos dias eles (os candidatos) trabalharam bastante. Montaram seus comitês, reuniram suas equipes, panfletaram, palestraram, divulgaram, debateram… Não deve ser fácil a vida de um candidato (assim como a nossa vida de pobre também não é). Ah sim, eles também fraudaram, se agrediram, mentiram e prometeram coisas que nunca cumprirão.
Alguns de nós, pobres, olhamos toda esse momento célebre da democracia brasileira e sentimos um misto de alegria por esperar um futuro cheio de esperança, mas também se entristece porque no fundo sabe que parte deles (os candidatos) trabalharão apenas em benefício próprio é dos seus, enquanto nos permanecemos cada dia mais pobres.
Mas acreditem, nos pobres somos persistentes, teimosos igual mosca sobre comida descoberta. Já em nós uma energia incansável, de acordar a cada dia esperando que o amanhecer traga boas notícias, ou quem sabe a chance de pelo esforço individual e coletivo, tornar a vida um pouco menos áspera.