Quando a reforma do Ensino Médio é tão ruim que a publicidade em sua defesa precisou ser mascarada

Hoje pela manhã li uma notícia que o Governo Federal pagou nada menos que 65 mil reais para que dois “youtubers” produzissem conteúdo elogiando as mudanças do ensino médio. Ok, os caras ganharam o dinheiro pelo trabalho deles e eu não tenho absolutamente nada contra isso, mas vamos pensar um pouquinho?
A quem essa ‘reforma’ de fato beneficia? Caso você tenha passado os últimos meses fora do planeta terra eu te explico. A partir de 2019, a carga horária do Ensino Médio deve aumentar e o aluno poderá escolher algumas matérias. Todas as disciplinas serão agrupadas em cinco grandes “blocos”, logo a escola só terá obrigação de oferecer apenas um deles. Já imaginou a defasagem que isso vai causar? Como o estudante estará preparado para enfrentar um vestibular? (sim, donos de cursinhos e pré-vestibulares estão em festa com essa reforma, pois cada vez mais os alunos da rede pública precisarão de reforço no processo de preparo do tão temido vestibular).
Sejamos sinceros: eu, você e todo mundo sabe que o estudante (nem todos) consegue chegar com dois meses de antecedência na fila para o show do seu ídolo mas é incapaz de conseguir chegar no horário marcado para a prova do Enem. Será que esse mesmo estudante terá preparo (leia-se maturidade) suficiente para escolher quais disciplinas lhe trarão um bom futuro profissional?
A quem o atual ministro da educação (o excelentíssimo senhor Mendonça Filho, que é formado em administração de empresas e não em educação) consultou sobre essas mudanças? Professores? Especialistas em Educação? Pais e estudantes? Eu sinceramente fico me perguntando se mesmo com a escola oferecendo disciplinas como filosofia e sociologia ainda se vê gente querendo votar no Bolsonaro, imagine como ficará a formação do cidadão crítico (leia-se alunos) sem disciplinas como estas.
Bom, caso não lembrem, temos aí uma PEC que congela os investimentos (inclusive em educação) por 20 anos, como é que haverá investimento para a reforma desta modalidade de ensino? E o salário dos professores, que provavelmente irá piorar graças a falta de investimento?
Resumindo tudo: o tiro no pé já foi dado, preparem as moedas para comprar muletas!