[PAPO SÉRIO] Não gosta, não ouça…

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Tenho atualmente 33 anos, completo 34 em abril do próximo ano. Por influência dos meus tios, desde muito pequeno acompanho o mercado fonográfico nacional. Tive o prazer de crescer ouvindo Raul Seixas, Jovem Guarda, João Mineiro e Marciano, Nelson Gonçalves e tantos outros artistas também pertinentes a minha idade.
Por percepção própria, observo que o brasileiro tem uma certa repulsa pela própria cultura, que ataca aparentemente sem causa específica a musicalidade que está enraizada em nossa história. A gente tem realmente o privilégio de morar em um país com ritmos como o frevo, maracatu, forró, xote, baião, xaxado, samba, pagode, funk, sertanejo.
Me lembro quando surgiu o fenômeno Mamonas Assassinas, a grande quantidade de críticos de música sem formação que jogou pedras no despretensioso som dos rapazes de Guarulhos.

Lembro também quando botinhas, shortinhos, cordinhas e bambolês explodiram junto com o grupo Gera Samba (que logo recebeu o nome de É o Tchan). Ai meu Jesus, onde vai parar o mundo com depois dessa tal de “Dança do Bumbum”? E estudos apontam que sem nenhum cataclismo, o mundo continua a girar normalmente (mesmo depois de todas as críticas à dança do bumbum).

O fenômeno “Rouge” invadiu a TV, as festinhas de final de semana, as rádios e nossas mentes com o refrão chiclete de “Ragatanga”. E logo os irmãos acharam por bem entender que a letra da música na verdade tinha mensagens subliminares satânicas (eu to aqui até hoje querendo ser possuído e nada).

E assim foi, ano após ano, muitos artistas vieram (alguns caíram no ostracismo) e o brasileiro continua com seu habitual costume de detonar tudo aquilo que não lhe agrada. O mais surpreendente é que no dia a dia dificilmente vejo alguém ouvindo João Gilberto ou Johann Sebastian Bach, e ainda que ouvisse isto não tornaria o paladar musical como referencia de superioridade sonora.
Esta semana a Anitta arrematou o projeto #XequeMate com o lançamento da música Vai Malandra.
O trabalho foi o ponto de partida para uma verdadeira batalha campal massificada por críticas, preconceito e opiniões vazias, como por exemplo a do respeitável (e não estou sendo irônico ao usar esse termo) Lulu Santos:

lulu santos

Ora, eu não ouso dizer que o conteúdo do post não faz sentido, entretanto, o que é que temos feito para que a inspiração das letras seja outra? Quem tá escrevendo letra de funk vai falar de quê? Sobre a beleza dos alpes suíços? A gente fala simplesmente daquilo que a gente vive. E já tá mais que na hora da gente parar de interpretar o papel de juiz de música popular e entender uma coisa: se você não gosta de determinado ritmo, a dica é simples: NÃO OUÇA.
Vai menina Anitta, o mundo é seu!

anitta-vai-malandra

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