[PAPO SÉRIO] O QUE PRECISA DE CURA É O ÓDIO

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No próximo dia 23 de Maio o o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento que enquadra a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero como crime. Para alguns, a medida é desnecessária ou exagerada, a julgar pela quantidade de problemas sociais a serem resolvidos em nosso país. E até seria, caso uma pessoa não fosse assassinada no Brasil a cada 16 horas por sua orientação sexual ou identidade de gênero.

A situação da comunidade LGBT nunca foi fácil, mas o que me parece é que nos últimos anos tornou-se terrivelmente pior. Preconceito, ignorância, discriminação e intolerância são os elementos explosivos que se perpetuam numa nação pra lá de conservadora. Tudo se agrava quando o país decide escolher um presidente abertamente homofóbico, aliás, a última de suas decisões mais infames foi a retirada do incentivo a turismo LGBT do plano nacional de turismo. Perde o turismo, perde a economia, reforça-se internacionalmente que o Brasil não é um lugar seguro para a diversidade (e realmente não é).

Hoje é dia 17 de Maio, data em que é celebrado o Dia Internacional da Luta contra a Homofobia. Soa um tanto irônico, a coincidência que 17 também é o número de campanha usado por Jair Bolsonaro, uma das figuras mais intolerantes e agressivas quando se trata da diversidade sexual. Aliás, ele é literalmente a personificação de uma pátria que pratica as maiores atrocidades quanto se trata de questões de gênero.

Ao menos 8.027 lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais (LGBTI) foram mortos em crimes de ódio motivados por homofobia entre 1963 e 2018, de acordo com relatório do Grupo Gay da Bahia. Em janeiro deste ano, a travesti Quelly da Silva foi assassinada por Caio Santos de Oliveira, tendo seu coração retirado e no lugar colocado a imagem de uma santa.

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Em dezembro de 2016, o jovem Itaberlly Lozano, de 17 anos, foi morto por ser gay, tendo o corpo carbonizado pela própria mãe, com a ajuda do padrasto.

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No começo do ano de 2016 um vídeo viralizou nas redes sociais, tratava-se do brutal assassinato da Travesti Dandara, que agredida com chutes e golpes de pau, sendo posteriormente apedrejada e morta a tiros no Ceará.

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São casos cruéis, espalhados em lugares distantes uns dos outros, todos eles com um denominador comum: crimes de ódio motivado pela violência e intolerância contra pessoas LGBTs. Neste meio tempo a opinião pública se movimenta e encontra as mais fúteis desculpas para aliviar a barra de quem quer defender seu direito de ser preconceituoso. Surgem aí as justificativas mais generalistas possíveis, afirmações de que milhares de pessoas são assassinadas todos os anos, quando na verdade é impossível comparar situações diferentes quando se leva em consideração que não existe crime de ódio contra heterossexuais.

Falta empatia, falta respeito pela dignidade humana, faltam políticas sérias de enfrentamento à violência contra a diversidade. Sobra achismo e opinião desnecessária por parte de quem não sente na pele o que é ser LGBT. Testa aí na sua cidade: quantos lugares você frequenta em que travestis fazem parte da equipe de atendimento? Quantas empresas você conhece em que um gay ou uma lésbica ocupa posto de chefia? O debate é intenso e temos muito o que dialogar nos próximos anos. E para este dia, nada mais apropriado que esta frase dita pelo médico Dráuzio Varella.

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