FORTALEZA 291: Ícone do forró revela a paixão pela capital cearense

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Com uma enorme sacola em mãos, Bete Nascimento, 41 anos, entra sorridente em casa. Era o presente da filha, que há dias lhe cobrava uma tão sonhada casa de bonecas. E quem disse que vida de mãe é moleza? Conciliar vida pessoal e profissional requer bastante jogo de cintura. Deste ponto começamos uma agradável viagem ao passado e voltamos ao bairro Carlito Pamplona, que é seu berço natal.

A vida modesta transforma a menina e moça formosa. E ao falar da adolescência, seus olhos brilham em um saudosismo inigualável. Bete lembra com carinho da época em que dividia a rotina entre os estudos e os finais de semanas, vivenciados, sempre que possível, nas belas praias cearenses. “Naquela época eram lugares mais saudáveis. Não existia tanta prostituição e violência. Saía às dez da noite e chegava às três da manhã”.

Com o passar dos anos o lazer teve adaptações por conta da agitada vida profissional, bem como o casamento e, consequentemente, do nascimento da filha, Sofia Eloá, que atualmente tem cinco anos de idade. As mudanças sempre fizeram parte de Bete Nascimento, sejam elas de moradia, na vida pessoal e até profissional.

Fortaleza encabeça o cenário do forró no Nordeste. Nesse contexto, a então professora de ginástica transforma-se em cantora de uma das maiores bandas de forró do país. Depois de sua participação em um programa de calouros, Bete foi descoberta pelo empresário Emanoel Gurgel, que a convidou para fazer parte do casting de músicos de sua banda, a Mastruz com Leite. “Eu não era cantora profissional. Ele me viu e me chamou para o Mastruz com Leite, uma banda que nasceu em Fortaleza e me abraçou com tudo.”

Mesmo entre idas e vindas por conta da atuação como cantora junto ao grupo musical, os momentos de folga eram aproveitados para explorar os pontos turísticos da cidade. Dentre eles destaca preferência pelo Estoril, como também pelo Bar do Pirata e o Cais Bar, que se tornou conhecido por como ponto de encontro da boemia alencarina.

O convite profissional e as extensas viagens a fizeram trancar o curso superior na faculdade de direito. Porém, o apoio da mãe e da família esteve presente neste período. Aliás, os laços familiares são de extrema relevância para que, mesmo tendo conhecido dezenas de cidades por meio do seu trabalho, nunca tenha cogitado abandonar a terra natal para residir em outro estado.

Embora o sorriso apareça estampado ao falar de Fortaleza, nem tudo são flores. A falta de segurança é uma de suas atuais preocupações como moradora local. Essa preocupação se transforma em incômodo quando relata que deixa de sair de casa por medo da violência. Para contornar a apreensão sempre que possível vai ao calçadão da Avenida Beira Mar. Bete transpira poesia e romantismo ao falar da Praia de Iracema, lugar onde sempre que pode leva a filha para patinar.

Chega o momento em que artista vira fã e, embora tenha atuado boa parte da vida como cantora de forró, a admiração pela MPB e pelos artistas locais é intensa. Paulo Façanha, Eliane, Luzirene Vieira e seu conjunto são apenas alguns dos nomes que embalam suas memórias afetivas da cidade.

Definitivamente, Bete Nascimento é uma dessas autênticas mulheres arretadas que carrega no peito o orgulho de ser cearense, sim, senhor. Esposa, mãe, artista e empresária, todas em uma mulher de sorriso e gentileza, bastante peculiares ao povo cearense.

Por: Fernando Magnus

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