[PAPO SÉRIO] Fui roubado (mais uma vez) em Fortaleza

Eu nem deveria estar escrevendo essa meia dúzia de palavras pra choramingar atenção de vocês. É que a gente acaba se questionando: “De novo, isso? Até quando?” Ontem ao sair da faculdade resolvi pegar um ônibus (linha 024 – Unifor/Terminal da Lagoa) diferente do que normalmente uso (Linha 066 – Papicu/Parangaba). Estava exausto, foi o primeiro que passou e assim embarquei, contente por conseguir ir sentado para casa.

Pra minha infelicidade em certa altura do caminho, o carro foi tomado por 3 jovens (popularmente chamados de “pirangueiros” aqui em Fortaleza). Um rapaz e duas moças, que protagonizaram uma dessas cenas que a gente torce pra sofrer de perda de memória. Que situação horrível, angustiante. Uma delas estava com uma faca dessas que usada pra tratar peixe.

Levaram meu telefone, nada que eu não consiga comprar novamente em 10 suaves parcelas no cartão de crédito. Talvez junto com o aparelho tenha ido um pouquinho da energia de quem acorda cedinho pra tentar ser alguém na vida pelo próprio esforço.
É bem triste enfrentar a situação de violência em que Fortaleza vem se afundando há longos anos. Por coincidência na semana passada mostrei ao amigo Álvaro Campos um link do Buzzfeed em que a cidade de Maracanaú (vizinha a capital cearense), figura entre as 10 mais violentas do país.

Eu realmente lamento bastante, sabe? Não só pelo prejuízo financeiro (ainda que este seja o segundo celular roubado), nem somente pelo abalo emocional. Eu fico triste pela falta de um sistema educacional de qualidade, pelo péssimo saneamento nos bairros mais pobres, por faltar acesso a cultura aos menos favorecidos, por programas sociais e oportunidade de trabalho que possam ressignificar a vida do trio que arrisca a própria vida (e a dos outros) em troca de meia dúzia de celulares.Lamento bastante mas ainda sou parte do time que acredita no direitos humanos, a quem parte da sociedade rosna ferozmente e afirma que “defende vagabundo”.

Ninguém foi machucado nessa muvuca toda, embora tenham levado a bolsa de uma passageira com todos os seus pertences. Vê-la descer na parada de ônibus, desorientada e chorando sem nada nas mãos me incomoda emocionalmente. Na hora tinha muitas mulheres (grande maioria estudantes), que ao perceber o assalto entraram em desespero e começaram a gritar, ilustrando com incrível realidade a cena filme de um filme terror.

Na hora reagi tranquilamente, mas cheguei em casa literalmente desabei em lágrimas. Felizmente o prefeito Roberto Claudio, nossos excelentíssimos vereadores, bem como o prezado governador Camilo Santana não precisam usar transporte publico e muito menos passar por isso, quem sabe eles resolvessem parar de brincar de serem gestores e olhassem pro povo. Vida que segue…

violencia

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