[PAPO SÉRIO] Gente que atrasa o mundo…

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Fortaleza, sexta 28 de julho de 2017
É tão somente uma sexta como qualquer outra. Dezenas de pessoas se enfileira e se assemelham a bois num curral, sonolentas, apressadas e ansiosas ao contar cada minuto que falta para o início do expediente de trabalho.
Simbolicamente a fila se propõe a organizar a entrada, o que não quer dizer que na pratica vá funcionar quando se tem enorme contingente de passageiros para um ônibus com lugares limitados, partindo desse princípio é evidente que algumas pessoas não irão sentadas.
O ônibus se aproxima e o distinto senhor de camisa sem mangas e boné, aparentemente com idade entre 30 e 40 anos, provavelmente se considera mais astucioso e esperto que os demais ali presentes. Desloca-se simultaneamente ao ver o ônibus se aproximar, se arremessa na frente de uma moça (que a esta altura deve mentalmente experimentar um mix de surpresa e aborrecimento já que não consegue impedi-lo de passar) e senta confortavelmente em uma das cadeiras disponíveis.
Certamente deve ter pensado: “tão somente por hoje não irei para trabalhar em pé”. Eu, o julgador da vida alheia e observador de todas as coisas penso: “será mesmo que ele acha vantagem desrespeitar o senso de coletividade pra tirar vantagem própria?”
A esta altura se você me lê já deve ter pensado a necessidade de toda esta problematização por conta de uma simples furada de fila. Faz um mínimo de sentido se não fosse cotidiana esse tipo de atitude. Descumprir com processos básicos de organização para que vivamos melhor em sociedade. Além do mais atrapalha, encho saco e representa gastos na minha vida (e na sua também).
O que me parece é que o tão conhecido “jeitinho brasileiro” tem nos custado muito caro. E já que é pra problematizar, não custa ir direto ao ponto pra lembrar que comportamento de nossos políticos em ‘serem espertos’ durante negociatas regadas a propinas, somado ao pensamento de querer levar uma vida mais confortável que o resto da população, tem levado o país à ruína.
Do micro ao macro, esse tipo de questão tem me incomodado e me preocupado nos últimos anos por dois motivos bem simples: o desequilíbrio causado quando nós extrapolamos a tênue fronteira de onde termina meu dever e começa o direito do próximo bem como o fato de levar muito a sério a lei de ação e reação.
No fim tudo fica o questionamento: é realmente proveitoso e inteligente praticar essas pequenas espertezas do dia a dia?

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