[PAPO SÉRIO] Resignificando sentimentos

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Com o tempo a gente entende que certas coisas mudam e algumas delas precisam ficar pra trás. Precisam mesmo pois do contrário a gente se cansa de arrastá-las pela vida afora, sem ao menos entender a necessidade de sustentar o enorme peso de cada uma delas. Poucas coisas nessa vida são capazes de explicar minhas mudanças comportamentais e as transformações do meu ponto de vista como uma das letras do saudoso Raul:

“Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

Estamos aqui todos nós em mais um #DiaDosPais. Mesmo diante de sua controversa importância não se deve negar que para muitos a celebração deste dia tem lá seu simbolismo. Confesso que a data um dia já me assustou, me deslocou grosseiramente para longe da minha zona de conforto e me fez questionar muitas coisas. Hoje não mais. Com o passar do tempo a gente aprende racionalmente a abrir mão de certas coisas para poder alcançar paz de espírito.

Em certo episódio, escrevíamos na escola alguma mensagem bonitinha em um lenço de tecido a ser entregue no dia dos pais. Mas que pai? O que eu não tinha? Para algumas situações nós (adultos) precisamos dimensionar a sensibilidade e vivência de cada um. E tratar a situação com doses cavalares de pena não é ser empático, não sejamos estúpidos. Nenhuma criança (ou adolescente) merece ser vista como “coitada” apenas pelo fato de não ter pai. Diálogo e amor na medida certa já são mais que suficientes.

Nesse processo de substituição de sentimentos aprendi que nem todos os homens são iguais. Por meio de sua postura e de suas ações, alguns deles foram capazes de desconstruir tudo aquilo que eu tinha em mente sobre o descomprometimento paternal. Ao ganhar um sobrinho, fui pego de surpresa na percepção de um irmão que eu ainda não conhecia. Que mesmo tendo convivido toda uma vida ao seu lado, só agora percebi toda a essência de um cara cheio de responsabilidade, amor e cuidado com sua nova tarefa que é cuidar e educar uma criança.

pedros

Ano após ano busco compreender as incapacidades alheias, venho guardando as ‘pedras de julgamento’ em meu bolso para que não machuquem ninguém, afinal cada um acaba sendo o resultado das próprias escolhas. Sigamos em frente, e aos pais: um dia cheio de muito amor ao lado de seus filhos.

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