[PAPO SÉRIO] Sempre é tempo…

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– “Tô assumidíssima…”

Li a declaração com uma sensação de leveza e felicidade inestimáveis. Não que tenha recebido a notícia como algo novo ou que a informação tenha me surpreendido. É que revirei num átomo de segundo o baú de memórias (tanto minhas quanto alheias) e lembrei o quanto é revigorante a gente se desprender de certas amarras.
E falando em amarras, a gente bem que deveria dia após dia, afrouxar os nós que prendem nossos juízos de valor. Vejamos: o que justificaria eu deixar de amar integralmente um ser humano (seja ele pai, mãe, primo, amigo ou o vendedor de sorvete da esquina) tão somente por conta da sua orientação sexual? Aliás, é bem pitoresco eu deixar de exalar amor apenas porque me incomodo se Antônia anda de mãos dadas com Júlia ou se Adriano beija afetuosamente a nuca de Joaquim.
Embora clichê, nunca é demais a gente colocar um ‘post-it’ na porta da geladeira para lembrar que a vida é curta demais para nos anularmos, nos privarmos de todas as possibilidades de ser feliz que esta existência nos oferece. E nem venha justificar seu atraso intelectual com um sonoro “ah, mas é minha opinião”, ultimamente tenho andado com muita preguiça de dar ouvidos a quem se perdeu nos becos e vielas da ignorância.

Os tempos são outros, guarde no baú seu preconceito que nossa felicidade quer desfilar.

 

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