[PAPO SÉRIO] Cansei…

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Num belo feriado de doze de outubro resolvi aliviar (quase, digamos), todos os compromissos pessoais e profissionais. Saio de casa na intenção de desopilar da rotina diária que a sociedade me impõe, quando em um desses programas entre amigos alguém pede a conta do bar, e ouço como resposta:
– VAI TOMAR NO TEU CÚ, VIADO!
Bom, digamos que é só um desproposital “vai tomar no teu cú, viado”, simples e descompromissado. Não viesse ele de um “garçom” que descobre ter sido ouvido e logo em seguida se descompensa na tentativa de justificar que era uma interjeição para um colega de trabalho. De imediato me toquei que o “amigo de trabalho” não se enquadra na condição de “viado”.
Logo pensei:
– Estou eu problematizando desnecessariamente? É bobagem requerer um linguajar um pouco mais formal por parte do garçom?

No âmbito de todas os pensamentos surgem muitas colocações. Dentre elas a possibilidade de deixar (ou não), ficar por isso mesmo. Quando de repente vem a mais profunda de todas as tristes lembranças: a do garoto com treze anos de idade se recusa a sair no intervalo escolar por medo que os coleguinhas então comecem o tradicional bullying diário. Aquela tão corriqueira tentativa de tornar-lhe insignificante por ser quase somente o único “viado” da turma.

- “Ah, mas você tá exagerando, tá misturando as coisas” (pensa então quem nunca sofreu com esta situação).

Talvez, e até pode ser. Não pensasse eu que não sou mais obrigado a ouvir um sonoro “vai tomar no teu cú, viado”, do alto de meus trinta e três anos de idade. Exagero? Nem um pouco. Só não me encontro mais em condições de achar que um simples mal entendido na verdade esconde por trás a tamanha cultura de preconceito enraizada no dia a dia. Situação essa realizada por quem normalmente se intitula “gente de bem” e insiste em carregar o comportamento como se fosse a coisa mais normal desse mundo.

Essa “brincadeira” (se é que assim se pode chamar) descompromissada vai parar aonde? Quantos como eu terão que morrer assassinados sob o pretexto de que tudo foi só um “mau entendido”? Não! Eu mesmo não. Sinceramente estou muito exausto de ver dia após dia este tipo de coisa acontecer como se eu não estivesse sendo afetado por isso.

Sabe aquele momento em que você apenas grita: “ACABOU A ZORRA”? Pois é… acabou mesmo! Não tenho mais tempo pra dialogar com quem acha que tudo é uma questão de “mimimi”, ou que pensa ser exigências de mordomias por parte da minoria. Como qualquer outro cidadão adentro em um estabelecimento comercial, usufruo de produtos e serviços (pagando pelos tais) e o mínimo que eu exijo é RESPEITO. Eu sinceramente não ligo para suas crenças religiosas, para o time que você torce ou para qual será sua preferência partidária nas próximas eleições. Eu não ligo… mesmo!

E se você quer me convencer de que “fulano falou isto ou aquilo sem pensar” também é um direito seu. Só não venha tentar me doutrinar de uma situação em que eu estou totalmente convicto da verdade e que não há argumentos neste mundo que possa me demover daquilo que julgo ser certo. Ao meu ver, no mais, respeito está muito além de brincadeiras e convicções pessoais, e se você as tem eu realmente lhe recomendo: GUARDE-AS PARA VOCÊ!

Diante de tudo o que escrevo eu apenas lhe diria: “Bruxa que não luta está fadada a morrer queimada”.

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