[PAPO SÉRIO] Que tal falarmos sobre sexualidade e violência?

E aí turma, tudo bem com vocês!?

Bom, com vocês espero que esteja tudo tranquilo por que me parece que com o mundo não vai nada bem… O que estas duas imagens abaixo dizem a você? São situações distintas e alegoricamente associadas ao martírio da dor física e moral enfrentadas por Jesus. Não por acaso, a posição dos braços abertos está presente em cada uma delas, numa clara referência icônica e simbólica do processo de crucificação.

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À direita, a atriz transexual Viviany Beleboni, de 26 anos, que encenou o sofrimento de Jesus, para “representar a agressão e a dor que a comunidade LGBT tem passado”. À esquerda, uma ilustração publicada diversas vezes nas redes sociais, após uma jovem de 16 anos ter sido violentada por cerca de 30 homens em uma comunidade da Zona Oeste do Rio.

Se há mais de 2000 anos atrás a violência física (e moral) já era praticada, nos dias atuais ela parece ter se especializado e escolhido duas classes bem específicas: o gay e a mulher. Antes que este texto seja lido pelos ‘justiceiros da web’ é importante ressaltar que infelizmente a violência está presente em todos os setores da sociedade. Homens, mulheres, crianças, ricos e pobres estão vulneráveis, entretanto ela ganha espaço quando se trata das duas classes citadas acima.

Não bastasse as pequenas/grandes brutalidades que acontecem todos os dias, não é pequena a corrente dos homens (e pasmem, mulheres também), que tentam justificar os atos de violência colocando a culpa na vítima. Em se tratando de orientação sexual, a culpa é sempre do homossexual, afinal o senso comum insiste em caracterizar a orientação sexual como escolha e nunca como condição.

E a mulher? Ah, a mulher é sempre culpada… dizem eles! Usa roupa curta então obviamente pede pra ser assediada.

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Sim querido(a) amigo(a), infelizmente acontecem estupros debaixo do seu nariz. Pode ser sua filha, sua vizinha, sua amiga… E não insistam com essa justificativa de que a mulher ao usar roupas curtas ou frequentar determinados lugares concede carta branca para que seja agredida física ou moralmente. Isso é argumento de gente rude!

É um absurdo imaginar que o mesmo cara que diz amar a mãe/filha ou a irmã/esposa, que paga de bom moço no dia das mães ou no dia internacional da mulher, é o mesmo que atira pedra na mulher alheia, afinal ela não lhes pertence e contra ela tudo está permitido. O mesmo papai que estufa no peito cheio de ciúmes e diz que sua filhinha só vai namorar quando tiver 30 anos é também aquele que compartilha as fotos da novinha que caem na web ou que assedia a moça dentro do transporte coletivo.

Sabe aquele Cristo Jesus que foi crucificado pela massa machista e arrogante de seu tempo? Ele também nos foi exemplo de tolerância e proteção ao sexo feminino. E a sociedade continua sendo a mesma que apedrejava prostitutas por não compactuarem com seus falsos preceitos morais. Mudam-se os tempos mas não mudam-se as formas de preconceito de gênero e brutalidade com o sexo feminino.

O que posso notar na repercussão dos dois casos, é que a sociedade parece ter despertado (mesmo depois de 2000 anos), não mais aceitando que situações como estas sejam tratadas somente como mais um fato isolado em nosso cotidiano. Que nossos olhos estejam sempre abertos, que as mulheres (e homossexuais) se empoderem e não se deixem calar, que não se tornem submissos, afinal a dignidade humana e o respeito para com o outro não dependem de suas preferências sexuais, da sua forma de se vestir ou dos ambientes que escolham frequentar.

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